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Não, não é sua opinião. Você só está errado.

Esta tradução parcial não é de um texto feminista porém pareceu pertinente para muitos debates que temos. A postagem original está em inglês, é de Julho/2015 e foi escrita por Jef Rouner, podendo ser acessada aqui: http://www.houstonpress.com/arts/no-it-s-not-your-opinion-you-re-just-wrong-updated-7611752

Tradução livre feita por Maria V.


Eu já tive tantas conversas e trocas de e-mails com alunos nesses últimos anos onde eu os deixo irritados por simplesmente dizer que falar “Essa é a minha opinião” não tira a possibilidade de uma afirmação estar muito errada. Ainda me choca que alguns acreditam que essas 5 palavras de alguma forma dão “carta branca” para falar bobagens. E realmente me assusta que alguns desses estudantes pensam que educação que desafia suas ideias é equivalente a um ataque às suas crenças.
-Mick Cullen

Eu passo tempo demais discutindo na internet do que provavelmente é saudável, e a palavra que eu vim a odiar mais do que qualquer outra é “opinião”. Opinião, ou pior, “crença”, se tornou o escudo de cada noção mal construída que se alastra nas redes sociais.
Existe um erro comum de que uma opinião não pode estar errada. Antes de você se esconder atrás do seu Escudo da Opinião, você precisa se perguntar estas duas questões:

1. Isso realmente é uma opinião?
2. Se isso realmente é uma opinião o quão informada ela é e porquê eu me apego tanto a ela?

Eu te ajudo com a primeira parte. Uma opinião é uma preferência por ou um julgamento de algo. “Minha cor favorita é preta.” “Eu acho que menta tem um gosto horrível.” “Tal programa é o melhor programa da TV”. Todas essas são opiniões. Talvez elas sejam únicas para mim ou então massivamente difundidas com a população geral mas todas têm uma coisa em comum: elas não podem ser verificadas fora do fato de que eu acredito nelas.
Não existe nada de errado em ter uma opinião sobre essas coisas. O problema é gerado por pessoas cujas opiniões são, na verdade, falsas concepções. Se você acha que vacina causa autismo você está expressando algo factualmente errado, não uma opinião. O fato de você talvez continuar acreditando que vacinas causam autismo não move sua concepção falsa para o plano da opinião válida. Nem o fato de que muitos outros acreditam nessa opinião dá mais validade a ela.
Citando John Oliver, que no seu programa de televisão fez referência a uma pesquisa de opinião que mostrava que 1 em cada 4 americanos acreditava que mudanças climáticas não são algo real:

“Quem se importa? Você não precisa da opinião das pessoas sobre um fato. Daí você pode muito bem fazer pesquisas perguntando: “Qual número é maior, 15 ou 5?” ou “Corujas existem?” Ou “Existem chapéus?”

Talvez você tenha visto recentemente quando questões sobre a bandeira Confederada* começaram a aparecer por aí. Talvez seja sua opinião que a escravidão não foi a causa da Guerra Civil, mas os Artigos de Secessão do Texas citam a escravidão 21 vezes (direitos são mencionados apenas 6 vezes, e apenas uma vez em uma frase que não menciona escravidão ou então como pessoas brancas são muito melhores que pessoas negras). Eu preciso lembrar que algumas pessoas têm a opinião de que o Holocausto era falso e que a opinião delas não significa absolutamente nada para a realidade material?

*Nota: A bandeira confederada representa nos Estados Unidos a união de 6 estados escravagistas em 1861 que se juntaram politicamente para continuarem com a escravidão depois de um presidente abolicionista ter vencido as eleições. Ela portanto é uma representação de racismo, um símbolo de ódio racial.

Aqui entramos na segunda questão: a sua opinião é informada/educada e porque você acredita nela? Apesar de tecnicamente terem opiniões que não estão erradas elas podem ter menos valor simplesmente porque elas estão faltando com estrutura.

Aqui está um exemplo. Digamos que eu encontre um fã de um mesmo programa que eu como o “Doctor Who” e para este fã o melhor ator que já interpretou o “Doutor” foi David Tennant. Nada de errado aqui. Porém, aprofundando a discussão nesse assunto este fã me diz que não viu nenhum episódio anterior a 2005 ou nunca ouviu a época em que esse programa passava no rádio. Agora, é possível que mesmo que este fã tivesse feito isso ele teria continuado achando que David Tennant é o melhor intérprete mas também é possível que talvez seria Tom Baker, Paul McGann ou outro.
Em um mundo perfeito a pessoa simplesmente diria “Bom, o David Tennant é o meu favorito dos que eu já assisti”. Existem diversos motivos para não ter assistido as versões antigas do programa afinal não estão no Netflix, é um programa antigo e bastante extenso, conseguir as gravações de rádio pode ser caro financeiramente, etc. Ter atingido uma opinião estreita por um conjunto de informações também estreitas é simplesmente natural.

O que estraga tudo é quando um conjunto estreito de informações é presumido como sendo maior do que realmente é. Existe uma diferença entre acreditar em algo e ter informações as quais você simplesmente não sabia que existiam. É fácil acreditar, por exemplo que “brancos enfrentam tanta discriminação racial quanto pessoas negras” mas apenas se você é completamente ignorante para os fatos como a diferença de desemprego entre brancos e negros, que das 500 pessoas na lista de poderosos e ricos apenas 5 são negras ou para o fato de que dos 43 presidentes dos Estados Unidos 42.5 deles foram brancos.
Em outras palavras, você pode formar uma opinião em uma bolha e pelas primeiras décadas das nossas vidas é o que geralmente fazemos. Porém, eventualmente você vai se aventurar pelo mundo e descobrir que o que você achou que era uma opinião informada era, na verdade, apenas um pequeno pensamento baseado em pouca informação e nos seus sentimentos pessoais. Muitas, muitas, muitas das suas opiniões vão na verdade estar construídas por falta de informação ou simplesmente erradas. Não, o fato de você acreditar nela não a torna mais válida ou merecedora e ninguém deve respeito algum a sua opinião simplesmente porque ela é sua. A realidade não se importa com seus sentimentos.

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